"Ainda ontem encontrei uma pessoa que veio ter comigo e me disse: «Cheguei a uma encruzilhada do caminho, olho para a minha vida e acho que falhei em toda a linha». E eu respondi-lhe: «Bem-vindo ao clube, meu caro».
O que dá sentido à vida? Não é o que fizemos.
Só um ingénuo fica completamente feliz com aquilo que realizou e não percebe que devia ter feito o triplo, cem vezes mais.
Então o que é que nos redime?
O que é que nos salva?
Cada vez creio mais que é colocarmo-nos, com humildade e confiança, na fronteira de um futuro que seja maior do que nós.
É perceber que somos servos daquele que virá, que o momento mais importante não é este presente apenas, este instante encerrado em si, mas o tempo atravessado pela tensão de um futuro maior.
Não valemos por nós mesmos;
somos qualificados por aquilo que estamos à espera;
medimos a altura do futuro que nos habita.
Somos apenas mediadores: fazemos pequenas coisas, sinalizamos com os nossos gestos aquele que virá.
Quando nos colocamos assim, a vida torna-se outra coisa."
José Tolentino Mendonça
in O pequeno caminho das grandes perguntas